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sexta-feira, 16 de maio de 2014

Quando fim também quer dizer um novo começo

Abril não foi fácil. Eu até escrevi um post sobre ele, dos mais mal humorados, diga-se de passagem, mas desisti de postar. Não era justo que depois de quatro meses sem aparecer por aqui eu voltasse com reclamações. Porque o universo ouve (né, Anna Vitória?). E não só ouve como também providencia que tudo aquilo se torne realidade -às vezes sabiamente, às vezes da forma mais torta possível-. Como não queremos que ele entenda errado, vamos jogar o jogo dele seguindo algumas regras, e a primeira delas é não propagar aos quatro ventos coisas que não valem à pena. O que segue, pelo contrário, valeu e ainda vale muito: hoje só vou agradecer.

Hoje eu li em algum lugar que há sempre alguém à espera da pessoa que vamos nos tornar. Isso porque, de acordo com o mesmo texto, estamos sempre no lugar certo, aquele em que devemos estar, e com quem devemos estar. Um fim, portanto, nem sempre é um fim e só. Pode ser um fim com um novo começo. Um fim inesperado, mas ainda assim nosso, necessário. Se você ainda não entendeu sobre o que esse post se trata, eu explico: há pouco mais de um mês um ciclo da minha vida se encerrou. Um relacionamento. Prefiro acreditar que só o que se foi, na verdade, foi um status. O relacionamento permanece, de outra forma, mas ainda assim está aqui.

E é por esse tempo maravilhoso que vivi, o meu tempo, com ele, que eu vim agradecer. Em primeiro lugar, há algo que vocês precisam saber pra que entendam minha aparente serenidade pra lidar com o assunto: foi consensual, foi amigável, foi exatamente como deveria ser. Isso acontece quando duas pessoas se amam de verdade, mas não mais como antes. Quando o amor se transforma e deixa de lado a paixão pra ser só carinho, amizade, respeito, cuidado. Ninguém espera por isso, ninguém consegue ver tal coisa chegando. Só acontece. E quando acontece, acreditem, o mundo também desaba. A ausência das palavras duras e dos móveis quebrados não torna tudo mais fácil. Pelo contrário.

É sempre mais difícil quando não existe um culpado, alguém pra descontar a raiva da decepção de não ter "dado certo". E é dessa forma que os primeiros minutos do fim te fazem pensar. Ainda bem, eu repito todos os dias, existe o tempo. E os amigos. Só eles são capazes de te fazer deixar de lado a ideia da falha e perceber que deu certo, sim, mas que nem toda fórmula se encaixa pra sempre quando as variáveis também se transformam. Eu mudei, ele mudou. Pro bem, pra melhor. Em direção à quem ainda vamos nos tornar. E sempre existe alguém à espera de quem vamos nos tornar, certo?

Se a fórmula já não cabe mais porque as variáveis agora são outras, de nada adianta tentarmos chegar a algum resultado com ela. Obsoleta é a palavra. Mas ainda podemos buscar outra equação levando em consideração quem somos agora. E é exatamente isso que estamos fazendo. Testando coisas aqui e ali, subtraindo algumas coisas e multiplicando outras. O que a gente sabe é exatamente onde isso vai dar: no começo. Porque, antes de tudo, éramos amigos. Quase melhores amigos. E se não houve atrito nem mágoa, e se ainda nos amamos e respeitamos e nos preocupamos um com o outro, por que nos tornaríamos completos estranhos? Tanto quanto não faz sentido, não é isso que vai acontecer.

Nesse caso, o universo foi sábio, mas também torto. Ainda assim, é a nossa vida, a nossa história. É clichê dos mais usados, mas eu faria tudo novamente. Sairia de casa aos dezessete, atravessaria o país quase sozinha (exceto por ele) e viveria todos aqueles dias de novo. Aqueles em que brigamos, em que ficamos deitados mergulhados no tédio vendo a vida passar. Aqueles em que a saudade apertava e ele fazia dos próprios braços minha muralha, minha casa. Aqueles em que morri de orgulho de ter ao meu lado alguém como ele, em que tive certeza de que, apesar dos riscos e da aparente insanidade, eu havia feito a escolha certa. A melhor escolha.

Dessa vez, nós fizemos a escolha certa. Juntos. Escolhemos o amor, ainda que não da forma como todos esperam, não da forma convencional. Porque amizade também é amor. É de onde viemos e pra onde vamos. É mais forte que paixão e a prova disso somos nós. Por isso hoje eu quero agradecer pela felicidade de um amor tranquilo, que agora se transforma, como tudo nessa vida, e começa de novo. O status do compromisso se foi, as convenções idem. Ficou o que importa, afinal, e a certeza de que sempre teremos um ao outro depois de tudo que fomos capazes de suportar juntos. Ficam também as lembranças, só as boas, porque são essas que devemos manter.

Hoje a casa está um pouco mais vazia. Foram-se os móveis, as roupas, a rotina a dois e tantas outras coisas que nesse momento fazem parte de um passado do qual sempre vou me orgulhar. O dedo já não carrega mais a aliança (e eu não sei se o teria feito tão cedo sem a melhor ajuda que alguém poderia ter -amo vocês, amigas), e até já começou a tratar de apagar a marca que cinco anos deixaram no anelar. Mas todas essas coisas realmente não importam. O material e o físico nunca foram realmente a melhor parte de tudo isso. E a melhor parte, essa ainda se mantém. O coração ainda está cheio, apesar de um pouco bagunçado. Metade é aquilo que fomos, e a outra, aquilo que estamos nos tornando.

Hoje eu entendi. Hoje eu me senti feliz e leve como nunca, pela sorte dupla que o universo parece ter reservado pra mim: a de ter vivido um grande amor e a de poder chegar ao fim sob a luz de um novo começo (pra mim, pra ele e pra nós). Por isso, muito obrigada, Sr. Universo. Vê se pega leve daqui pra frente.